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Para comer, clique aqui - Corporeidade Digital

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 Queria ter dado a este artigo o título “Corporeidade digital”, pois nele quero falar a respeito de lugar, enquanto categoria mesmo, pertencente ao universo da Filosofia Clínica. Mas esse título é acadêmico demais, então, para brincar um pouco com as palavras, preferi fazer um link com uma situação cotidiana que é marca do nosso tempo e usar o “para comer, clique aqui”, já estendendo para as tantas variações que podem ocorrer, como “para beber, clique aqui”, “para estudar, clique aqui”, para viajar e até para foder, clique aqui. Advirto que não quero afirmar tipologias e que o exercício que proponho é baseado em tomar a geração representada pelos adolescentes de hoje como partilhante, num recorte muito específico que engloba aqueles que, dentre eles, têm acesso mínimo à tecnologia/internet: são eles que vivem, de maneira plena, o ethos expressado nas formas acima. Eu que vos escrevo, também vivencio a mesma realidade, mas não com a mesma intensidade, pois minha geração é de certa ...

Velas de aniversário

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       Hoje, dia dois de agosto, deste ano no qual tantas vidas foram decepadas precocemente por uma irresponsabilidade político-administrativa – sim, a ignorância e a incompetência de nossos governantes é que é a real causa de muitas dessas mortes, pois vacina já temos a tempo suficiente para que várias das vidas que o vírus levou fossem poupadas. Quem dera esse vírus pudesse levar pudera também tanta imbecilidade e descaso deliberado! Completando, hoje, trinta e oito anos de vida, parei pra pensar no sentido de uma tradição que faz parte das comemorações de muitos de nós, desde pequenininhos: o apagar das velinhas de aniversário. Desde que me entendo por gente, eu vejo a presença desse símbolo nas festinhas, das mais ricas, com seus bolos bonitos e decorações, até aquelas mais simples, como as que fazíamos lá em casa, ao sabor de um delicioso bolo de cenoura com calda de chocolate. O bolo deste ano já está ali no forno e fui eu mesmo que fiz, pois não podemos e...

A pessoa e suas luzes. O que você vê?

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A bandana preta

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Não sei dizer ao certo onde minha cabeça estava naquele momento. O que sei dizer é que não eram dias fáceis. Eu andava às voltas no meu pensamento, percorrendo caminhos de há quase exatos dez anos atrás. Ah! Eram tantos corredores brancos e frios, tantos olhares sequestradores da minha atenção, sequestrados antes a   duras ameaças de morte que um disparo de palavras como “você tem câncer” representa, quando saídos da boca de um especialista no assunto. Há poucos dias uma dor na mesma região me havia despertado um ramalhete amargo de fortes sentimentos e memórias. E não foi só na cabeça, não: meu corpo também fez memória de todas as dores, do enjôo após cada sessão de quimioterapia enfrentada, da febre intensa com seus calafrios ininterruptos – nossa, senti um neste exato momento! Acho que meu corpo resolveu se lembrar de tudo isso apenas pra que eu me recordasse de que, atualmente, eu não acredito mais em dicotomias como essa de corpo e mente. Sim, era tudo psicológico, menos a d...